segunda-feira, 24 de maio de 2010




nós dois no quarto: meu cachorro e eu. lá fora, a tempestade uiva, desenfreada, assustadora.
o cachorro está sentado à minha frente - e me olha direto nos olhos.
eu também olho para os olhos dele.
parece que quer me dizer alguma coisa. é mudo, sem fala, nem entende a si mesmo - mas eu o entendo.
entendo que neste instante, nele e em mim, vive o mesmo sentimento e entre nós não existe a menor diferença. somos idênticos; em cada um, arde e brilha a mesma chama, pequena e trêmula.
a morte virá voando, vai abanar sobre essa chama suas asas frias e largas ...
e fim!
depois, quem poderá distinguir que chama ardeu em cada um de nós?
não! não são um animal e um homem que se olham ...
são dois pares de olhos idênticos, concentrados um no outro.
e em cada par de olhos, no animal e no homem, a mesma vida assustada tenta se agarrar no outro.

. o cachorro . ivan turguêniev .


.:.


sobre a amelie eu falo em primeira pessoa:
quantas saudades eu sinto de vc, alma-minha!

nesse mundo-cão que falta faz suas lambidas, os latidos e o olhar pidão ...

2 comentários:

  1. Inspiração !!

    http://www.revistapiaui.com.br/edicao_46/artigo_1348/O_fantasma_do_trotskismo.aspx

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