quarta-feira, 14 de outubro de 2009


não sei dizer do todo. não sei dizer da totalidade nem da completude.
mas me reconheço em cada caco, em cada pedaço de mim (!), em cada metade, terço.
retalhos diferentes, mal cortados que só assim poderiam me formar maltrapilha, mil trapilha.
cacos, pedaços e retalhos que todos juntos são maiores do que eu. não posso suportar o peso daquilo que não [me] cabe [em mim]. por isso preciso me contar, nos jornais, no mundo e nas livrarias. preciso de todos.

preciso sobretudo retomar um antigo hábito de me organizar em palavras.
tentar traduzir em fórmulas simples coisas que às vezes nem é possível dizer.

é preciso assentar. é preciso retomar a tranqüilidade.
é preciso ordenar o que há por dentro.

agora só vejo os cacos. agora só vejo os pedaços.
e retalhos.
é preciso retomar a linha, o norte, o rumo.

que comece o corte e a costura.

Um comentário:

  1. adorei Teodora! as palavras realmente nos ajudam a compreender o denso viver e a confusão de existir.
    bjo

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