quinta-feira, 5 de agosto de 2010



"existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. seu focinho é úmido e fresco. eu beijo o seu focinho. quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. a menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. ou não se acerta, mas, uma vez chamando com doçura e autoridade, ele vai. se ele fareja e sente que um corpo-casca é livre, ele trota sem ruídos e vai. aviso também que não deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez."

[clarice . uma aprendizagem ou o livro dos prazeres]


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lendo clarice descobri que até ela já tinha teorizado sobre adelaide.

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clarice sobre adelaide: adelaide pra mim é um cavalo preto e lustroso.

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clarice sobre adelaide:
adelaide pra mim é um corpo-casca vazio e doce.

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adelaide sobre o livro de clarice: eu vou superar as últimas dez páginas, clarice. estive pensando e acho que sou a lóri.

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clarice é a melhor amiga de adelaide.

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