domingo, 1 de agosto de 2010

foi então que ela se lembrou que, meses atrás, já tinha encontrado uma resposta pra isso:


"não sofria mais de febre terçã.
aprendera a digerir paquidermes, a dissolver venenos e envolvimentos até a milésima parte.

depois de tanto peso, se sentia leve.
depois de tanto tempo, se sentia breve.

aprendera a ver cores no cenário preto e branco.
aprendera ouvir música no silêncio da casa vazia.

.:.
ela estava sendo assim como queria ser,
magra, leve e calma.

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criava borboletas do estômago.
as asas que viviam dentro, nas entranhas, ganharam vida externa, foram parar na coluna.
foi então que ela bateu asas e voou."

[19.fevereiro.2010]

.:.

"ela se reconhecia em si mesma e isso era incrível.
a sensação que daí derivava era de alívio.

não sofria mais de febre terçã, aprendera a digerir os seus paquidermes, os seus e os dos outros.
aprendera a entender suas próprias contradições, a olhar para elas de maneira compreensiva.
e entendera que, a despeito dessas contradições, é preciso ter uma postura resoluta com a subjetividade alheia, e com a sua própria subjetividade sobretudo.
a despeito das contradições, dos paquidermes, das vontades mais firmes, dos medos mais paralisadores e das motivações mais sinceras é preciso partir, andar.

se olhava no espelho e se permitia perder-se.
perder-se nos meandros de si, naquilo que possuia de mais íntimo e particular.
a sensação de quase-plenitude que sentia ao se descobrir era azul.
estava feliz. e pela primeira vez em tempos o gosto do ferro que lhe feriu o peito abandora a boca.

o gosto agora era doce.
doce gosto de estar sozinha, diante de si, tão disposta a entender o universo e preenchê-lo de siginificado.

lembrava do cheiro de manjericão, sorriu e bebeu um copo d´água.


.:. "

[25.fevereiro.2010]

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as subjetividades não se constroem de maneira evolutiva, elas avançam aos saltos, numa sobreposição de sensações, impressões e significados.
a minha subjetividade é uma colcha de retalhos.
a minha subjetividade é a colcha de retalhos que minha avó fez pra mim quando eu era criança, só fica confortável depois de surrada pelo tempo.
é o tempo quem sempre dá a melhor forma pra minha subjetividade-colcha-de-retalhos.

.:.

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