
respirou fundo e fechou os olhos lentamente.
numa sucessão desordenada de flashes visitou os acontecimentos dos últimos meses.
suspirou, abriu e fechou os olhos, sorriu. pensou nas inúmeras coisas que teria que resolver no outro dia. teria que organizar o quarto, dobrar as roupas, ordenar seu habitat - esse era seu ritual mais pessoal e particular.
o gosto do ferro que lhe feriu o peito ainda não havia deixado a boca.
mas a teimosa sensação de cansaço já não a acompanhava mais. sorriu quando se deu conta disso.
sua subjetividade boiava tranqüila na torrente de sensações que tempos atrás quase lhe afogou.
os hematomas e os arranhões davam lugar à pele macia e hidratada. o ambiente familiar completava o clima favorável à organização. sentia-se como um doente saindo da enfermaria, curado e ciente de seu estado ainda delicado.
sentia sede. levantou-se e bebeu um copo enorme de água. sorriu ao sentir o cheiro de barro que vinha daquele filtro. mergulhou numa ressurgência de boas lembranças que se apresentavam pra ela muito mais sob a forma de aromas do que de imagens. aromas cítricos e frescos. sorria de modo discreto e sincero. bebeu mais um gole d´água, suspirou. parou em frente à sacada e amou a vista conhecida. os pés descalços sobre a ardósia fria lhe davam a sensação de estabilidade. foi pra cama, pensou nos aromas, no gole d´água, na vista da sacada e no piso de ardósia. estava em casa, redescobrira o acesso a si mesma. dormiu rapidamente, o outro dia era dia de organizar-se.
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