terça-feira, 13 de julho de 2010

deitava-me num monte de canas, meu chapéu de palha sombreando parte do rosto. através do chapéu, via o vasto céu turquesa. uma folha destacava-se do monte de canas acima, parecendo desproporcionalmente enorme contra o céu. entrecerrava os olhos, sentindo-me aliviada pelo frescor da vegetação.

a folha lembrava-me as folhas oscilantes de uma touceira de bambu, numa tarde de verão quente semelhante, muitos anos antes. sentado à sua sombra, a pescar, meu pai escrevera um poema triste. no mesmo gelu - padrão de cores, rimas e tipos de palavras - do dele, comecei a compor um meu. o universo parecia parado, além do leve roçagar da brisa refrescante. a vida me parecia bela naquele instante.

nessa época, eu agarrava a oportunidade de solidão, e demonstrava ostensivamente que nada queria com o mundo à minha volta, o que deve ter-me feito parecer meio arrogante.


jung chang .:. cisnes selvagens

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